| Modalizações | Definição |
| Lógicas (apoiadas no mundo objetivo) | Avaliações apoiadas em conhecimentos construídos e organizados no quadro das coordenadas formais que definem o mundo objetivo. Seus elementos constitutivos são avaliações do valor de verdade dos fatos. |
| Deônticas (apoiadas no mundo social) | Avaliações elaboradas com base nos valores e nas regras constitutivas do mundo social. Seus elementos se apresentam como sendo do domínio da obrigação social e/ou da conformidade com as normas em uso |
| Apreciativas (apoiadas no mundo subjetivo) | Avaliações que precedem da voz que é a fonte desse julgamento, apresentando-os como positivos ou negativos. |
| Pragmáticas (apoiadas em intenções, razões ou capacidades de ação do agente) | Avaliações concernentes às responsabilidades de um enunciador em relação às ações de que é o agente |
terça-feira, 31 de maio de 2011
MODALIZAÇÕES (BRONCKART)
quarta-feira, 25 de maio de 2011
segunda-feira, 23 de maio de 2011
CURSO PARA PROFESSORES COORDENADORES
Olá pessoal
Sexta-feira, 27 de maio, começa o curso de Alfabetização para Professores Coordenadores do ciclo II do Ensino Fundamental. O curso foi idealizado pela Oficina Pedagógica da Diretoria de Ensino de Lins e conta com a participação das PCOPs de Língua Portuguesa (nós), Matemática, Ciclo I e Educação Especial.
Esse time é nota dez. Aguardamos a presença de todos os PCs de Ciclo II das nossas escolas!!!!!!
Abraços.
Sexta-feira, 27 de maio, começa o curso de Alfabetização para Professores Coordenadores do ciclo II do Ensino Fundamental. O curso foi idealizado pela Oficina Pedagógica da Diretoria de Ensino de Lins e conta com a participação das PCOPs de Língua Portuguesa (nós), Matemática, Ciclo I e Educação Especial.
Esse time é nota dez. Aguardamos a presença de todos os PCs de Ciclo II das nossas escolas!!!!!!
Abraços.
quinta-feira, 19 de maio de 2011
A MEIA GORDINHA
- Calma, meu anjo. Não se trata de uma gordinha pela metade. Meia. Nem da meia (aquilo de colocar nos pés) de uma gordinha, portanto, uma meia gordinha.
- Trata-se de você mesma, navegante da Internet. Eu sei que você é meia gordinha e que existe um erro de português aqui. Mas meio gordinha não é o mesmo que meia gordinha. Que me perdoem os amargos gramáticos, mas gordinha é meia. Meia gordinha. Meia gordinha soa melhor, sua menos. Meia gordinha, como você está, no ponto.
- Eu não sei exatamente o que é que a Internet faz para atrair as meia gordinhas. Mas elas não resistem. É como se a Internet fosse feita para elas. E elas, esperaram anos - formando-se como meia gordinhas - pelo advento da rede. É isso, uma meia gordinha se encaixa na rede. Ali ficam, ali balançam, ali se mostram, se expõem, se apaixonam. Ali, são universais internautas. Ali, soltam suas vírgulas (como suas curvas), suas reticências (suas dobrinhas) e suas bem colocadas exclamações. Não usam acento, mas têm assentos. Não usam maiúsculas, pois já nasceram meia grandinhas.
- E agora você, me lendo, pergunta: como é que ele sabe que eu sou meia gordinha? Pesquisa, minha cara meia gordinha. Nem Bill Gates sabe disso. Mas o Dataprata tem sua pesquisa. 83% das mulheres que desfilam pela Internet são meia gordinhas. Se você estiver nos 17% das meia magrinhas, pode parar de ler. Mesmo porque, nada ofende mais uma mulher do que ser considerada meia gordinha, não o sendo.
- Não sei por que vocês estão lá navegando. Talvez por terem vergonha de ser meia gordinha. E, quando a gente pede uma foto, mandam aquela só do rosto, né? Ou de vestido preto. Se você mandasse sem o vestido, ia fazer muito mais sucesso. Sim, nós sabemos de antemão que você é meia gordinha. Você pode até mentir suas medidas, mas o seu texto te entrega. O estilo de uma meia gordinha é inconfundível.
- Pro meu gosto, meia gordinha é o que há. Aliás, pra todo mundo que eu conheço. Só que ninguém assume: o brasileiro, influenciado pela moda francesa, quer a magra. Pra pegar onde? Pra segurar o quê? Pra recostar em claviculares saboneteiras? Pois é muito melhor espalhar sabonete pelo corpinho de uma meia gordinha.
- Mas não vamos confundir a meia gordinha com a gordinha. Há celulíticas e celulares diferenças. Em primeiro lugar, a meia gordinha assume que é meia gordinha. Enquanto que a gordinha faz de tudo para se tornar meia. E sofre com isso. Mesmo porque, quando uma gordinha vira meia, desaba o mundo, enruga o universo.
- A meia gordinha honesta, assume. É, antes de tudo, uma forte. Uma fortaleza.
- Tudo no seu devido lugar. Se ela emagrecer perde - além de quilos - pontos.
- Dizem que até abandona a Internet.
- Veja, por exemplo, o que diz Matthew Shirts, brasilianista de primeira.
- Portanto, conhecedor das coisas abaixo do Equador e acima da Argentina:
- - Sempre achei a maior graça nas meia gordinhas. Para começar, elas são mais expansivas e alegres que as magras e topam qualquer parada. Nunca conheci uma meia gordinha que impusesse restrições ao imaginário erótico de um homem - no caso, eu mesmo, meio gordinho. É claro, desde que você não proponha nada de acrobático demais, como saltar de cima de um guarda-roupa.
- Ele revira os olhos ao me dar tais declarações:
- - Nos Estados Unidos, você dificilmente encontra mulheres, mesmo gordas, com nádegas avantajadas. No Brasil, isso é quase corriqueiro. A verdade é que uma meia gordinha de bumbum proeminente me deixa bastante perturbado, no bom sentido. Talvez esteja aí um dos principais motivos que me levaram a trocar os States pela pátria do futebol e das meia gordinhas.
- E conclui:
- - A meia gordinha sexualmente realizada é um dos seres mais calmos do planeta.
- As meia magrinhas que me perdoem, mas as meia gordinhas são bem melhores de vírgulas, de reticências e de exclamações. Sem falar naqueles dois pontos delas. Muitíssimo bem colocados.
- E ponto final.
- E, pra quem não sabe, o Mateus é meio gordinho. E bem-vindo ao meio do Caderno 2, toda segunda-feira.
- Mário Prata
terça-feira, 17 de maio de 2011
NÃO TEM NADA DE ERRADO COM OS LIVROS
Olá pessoal
Esta semana estamos assistindo um duelo sobre a linguagem utilizada nos livros autorizados pelo MEC. Como não temos espaço na mídia para defendermos o estudo linguístico utilizado pela autora, abrimos aqui um espaço para compreendermos melhor essa discussão. Abaixo tem um link que nos levará para uma página destinada a esse debate e nos ajudará a entendermos melhor a questão. Afinal, somos especialista neste assunto.
terça-feira, 10 de maio de 2011
Crônica
Gênero entre jornalismo e literatura
Alfredina Nery*
Especial para a Página 3 - Pedagogia e Comunicação
Especial para a Página 3 - Pedagogia e Comunicação
Assim como a fábula e o enigma, a crônica é um gênero narrativo. Como diz a origem da palavra (Cronos é o deus grego do tempo), narra fatos históricos em ordem cronológica, ou trata de temas da atualidade. Mas não é só isso. Lendo esse texto, você conhecerá as principais características da crônica, técnicas de sua redação e terá exemplos.
Uma das mais famosas crônicas da história da literatura luso-brasileira corresponde à definição de crônica como "narração histórica". É a "Carta de Achamento do Brasil", de Pero Vaz de Caminha", na qual são narrados ao rei português, D. Manuel, o descobrimento do Brasil e como foram os primeiros dias que os marinheiros portugueses passaram aqui. Mas trataremos, sobretudo, da crônica como gênero que comenta assuntos do dia a dia. Para começar, uma crônica sobre a crônica, de Machado de Assis:
O nascimento da crônica “Há um meio certo de começar a crônica por uma trivialidade. É dizer: Que calor! Que desenfreado calor! Diz-se isto, agitando as pontas do lenço, bufando como um touro, ou simplesmente sacudindo a sobrecasaca. Resvala-se do calor aos fenômenos atmosféricos, fazem-se algumas conjeturas acerca do sol e da lua, outras sobre a febre amarela, manda-se um suspiro a Petrópolis, e la glace est rompue está começada a crônica. (...) |
(Machado de Assis. "Crônicas Escolhidas". São Paulo: Editora Ática, 1994)
Publicada em jornal ou revista onde é publicada, destina-se à leitura diária ou semanal e trata de acontecimentos cotidianos.
A crônica se diferencia no jornal por não buscar exatidão da informação. Diferente da notícia, que procura relatar os fatos que acontecem, a crônica os analisa, dá-lhes um colorido emocional, mostrando aos olhos do leitor uma situação comum, vista por outro ângulo, singular.
O leitor pressuposto da crônica é urbano e, em princípio, um leitor de jornal ou de revista. A preocupação com esse leitor é que faz com que, dentre os assuntos tratados, o cronista dê maior atenção aos problemas do modo de vida urbano, do mundo contemporâneo, dos pequenos acontecimentos do dia a dia comuns nas grandes cidades.
Jornalismo e literatura
É assim que podemos dizer que a crônica é uma mistura de jornalismo e literatura. De um recebe a observação atenta da realidade cotidiana e do outro, a construção da linguagem, o jogo verbal. Algumas crônicas são editadas em livro, para garantir sua durabilidade no tempo.Leia a seguir uma crônica de um dos maiores cronistas brasileiros:
Recado ao Senhor 903 “Vizinho, Quem fala aqui é o homem do 1003. Recebi outro dia, consternado, a visita do zelador, que me mostrou a carta em que o senhor reclamava contra o barulho em meu apartamento. Recebi depois a sua própria visita pessoal – devia ser meia-noite – e a sua veemente reclamação verbal. Devo dizer que estou desolado com tudo isso, e lhe dou inteira razão. O regulamento do prédio é explícito e, se não o fosse, o senhor ainda teria ao seu lado a Lei e a Polícia. Quem trabalha o dia inteiro tem direito a repouso noturno e é impossível repousar no 903 quando há vozes, passos e músicas no 1003. Ou melhor; é impossível ao 903 dormir quando o 1003 se agita; pois como não sei o seu nome nem o senhor sabe o meu, ficamos reduzidos a ser dois números, dois números empilhados entre dezenas de outros. Eu, 1003, me limito a Leste pelo 1005, a Oeste pelo 1001, ao Sul pelo Oceano Atlântico, ao Norte pelo 1004, ao alto pelo 1103 e embaixo pelo 903 – que é o senhor. Todos esses números são comportados e silenciosos: apenas eu e o Oceano Atlântico fazemos algum ruído e funcionamos fora dos horários civis; nós dois apenas nos agitamos e bramimos ao sabor da maré, dos ventos e da lua. Prometo sinceramente adotar, depois das 22 horas, de hoje em diante, um comportamento de manso lago azul. Prometo. Quem vier à minha casa (perdão: ao meu número) será convidado a se retirar às 21h45, e explicarei: o 903 precisa repousar das 22 às 7 pois as 8h15 deve deixar o 783 para tomar o 109 que o levará ate o 527 de outra rua, onde ele trabalha na sala 305. Nossa vida, vizinho, está toda numerada: e reconheço que ela só pode ser tolerável quando um número não incomoda outro número, mas o respeita, ficando dentro dos limites de seus algarismos. Peço-lhe desculpas – e prometo silêncio. [...] Mas que me seja permitido sonhar com outra vida e outro mundo, em que um homem batesse à porta do outro e dissesse: ‘Vizinho, são três horas da manhã e ouvi música em tua casa. Aqui estou’. E o outro respondesse: ‘Entra vizinho e come do meu pão e bebe do meu vinho. Aqui estamos todos a bailar e a cantar, pois descobrimos que a vida é curta e a lua é bela’. E o homem trouxesse sua mulher, e os dois ficassem entre os amigos e amigas do vizinho entoando canções para agradecer a Deus o brilho das estrelas e o murmúrio da brisa nas árvores, e o dom da vida, e a amizade entre os humanos, e o amor e a paz.” |
(Rubem Braga. "Para gostar de ler". São Paulo: Ática, 1991)
Fato corriqueiro...
Há na crônica uma série de eventos aparentemente banais, que ganham outra "dimensão" graças ao olhar subjetivo do autor. O leitor acompanha o acontecimento, como uma testemunha guiada pelo olhar do cronista que tem a pretensão de registrar de maneira pessoal o acontecimento. O autor dá a um fato corriqueiro uma perspectiva, que o transforma em fato singular e único.No caso da crônica "Recado ao Senhor 903", há uma crítica à desumanização na cidade grande, na qual somos, muitas vezes, apenas números e não pessoas. O surpreendente é a inversão proposta pelo narrador ao final da crônica: no lugar da intolerância, tão comum nas cidades grandes, ele propõe um possível acolhimento amigo.
Outro aspecto é que as personagens das crônicas não têm descrição psicológica profunda, pois, são caracterizadas por uma ou duas características centrais, suficientes para compor traços genéricos, com os quais uma pessoa comum pode se identificar. Em geral, as personagens não têm nomes: é a moça, o menino, a velha, o senador, a mulher, a dona de casa. Ou têm nomes comuns: dona Nena, seu Chiquinho, etc...
Análise da linguagem
1) Intenção e linguagem
O narrador-personagem da crônica (ou remetente da carta ao vizinho) reconhece que faz barulho e por isto pede desculpas. Veja, assim, as palavras e afirmações que usou para construir essa ideia: "consternado", "desolado", "lhe dou inteira razão", "O regulamento do prédio é explícito", "Quem trabalha o dia inteiro tem direito ao repouso", "Peço desculpas", "Prometo silêncio".
O narrador-personagem da crônica (ou remetente da carta ao vizinho) reconhece que faz barulho e por isto pede desculpas. Veja, assim, as palavras e afirmações que usou para construir essa ideia: "consternado", "desolado", "lhe dou inteira razão", "O regulamento do prédio é explícito", "Quem trabalha o dia inteiro tem direito ao repouso", "Peço desculpas", "Prometo silêncio".
No entanto, através de ironias, o narrador reconhece sua falta, mas explicita que não concorda com a situação, uma vez que a aborda também de outro ângulo, problematizando as relações entre as pessoas e não simplesmente aceitando a situação como algo imutável. E faz isso, especialmente, quando:
2) Ironia e humor
a) Veja como o narrador usa uma fina ironia quando fala de si mesmo e dos motivos das reclamações do vizinho:
"Todos esses números são comportados e silenciosos: apenas eu e o Oceano Atlântico fazemos algum ruído e funcionamos fora dos horários civis; nós doisapenas nos agitamos e bramimos ao sabor da maré, dos ventos e da lua." Verifique ainda como o uso do elemento "apenas", usado duas vezes intensifica a sua exclusão em relação aos demais moradores do prédio.
b) O excesso de referência a números acaba por criar um efeito de humor e crítica social:
"Prometo sinceramente adotar, depois das 22 horas, de hoje em diante, um comportamento de manso lago azul. Prometo. Quem vier à minha casa (perdão: ao meu número) será convidado a se retirar às 21h 45, e explicarei: o 903 precisa repousar das 22 às 7 pois as 8h 15 deve deixar o 783 para tomar o 109 que o levará ate o 527 de outra rua, onde ele trabalha na sala 305."
Enfim, o efeito de humor tem a ver com:
3)Uso de verbo
Quando o narrador quer sonhar com uma outra situação em relação, não só à sua vizinhança, mas também à vida na cidade grande, veja que ele constrói essa ideia usando verbos no pretérito imperfeito do subjuntivo, o que indica possibilidade/desejo/hipótese:
"Mas que me seja permitido sonhar com outra vida e outro mundo, em que um homem batesse à porta do outro e dissesse: 'Vizinho, são três horas da manhã e ouvi música em tua casa. Aqui estou'. E o outro respondesse: 'Entra vizinho e come do meu pão e bebe do meu vinho. Aqui estamos todos a bailar e a cantar, pois descobrimos que a vida é curta e a lua é bela'.
E o homem trouxesse sua mulher, e os dois ficassem entre os amigos e amigas do vizinho entoando canções para agradecer a Deus o brilho das estrelas e o murmúrio da brisa nas árvores, e o dom da vida, e a amizade entre os humanos, e o amor e a paz.
4)Uso dos artigos
Releia os trechos:
a) "Quem fala aqui é o homem do 1003.".
Foi usado o artigo definido ( o ), quando o narrador refere-se a si mesmo, particularizando, dessa forma, um indivíduo, entre outros.
b) "Mas que me seja permitido sonhar com outra vida e outro mundo, em queum homem batesse à porta do outro e dissesse (...). E o outro respondesse (...)"
Há artigo indefinido ("um homem"), quando foi introduzido um elemento ainda não citado no texto, generalizando-o. Há artigo definido ("o outro"), quando novamente se tem um indivíduo já citado, particularizando-o.
Veja que essas escolhas linguísticas vão constituindo a ligação/coesão entre as partes do texto, de tal maneira que, mais do que saber o nome das classes da gramática - substantivos, adjetivos, artigos, advérbios, verbo, conjunção, pronome, preposição, numeral - é importante saber suas articulações na construção dos sentidos de um texto.
Características das crônicas
A crônica é um texto narrativo que:Alfredina Nery é professora universitária, consultora pedagógica e docente de cursos de formação continuada para professores na área de língua/linguagem/leitura.
http://educacao.uol.com.br/portugues/ult1693u18.jhtm
http://educacao.uol.com.br/portugues/ult1693u18.jhtm
sexta-feira, 6 de maio de 2011
LER
"Ler é entrar em outros mundos possíveis.É indagar a realidade para compreendê-la melhor, é se distanciar do texto e assumir uma postura crítica frente ao que se diz e ao que se quer dizer, é tirar carta de cidadania no mundo da cultura escrita..."
Delia Lerner
Delia Lerner
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