terça-feira, 21 de junho de 2011
quinta-feira, 16 de junho de 2011
Governo envia ao Legislativo projeto de Política Salarial para o Magistério
O Governador Geraldo Alckmin encaminhou hoje à Assembleia Legislativa o Projeto de Lei Complementar da proposta de Política Salarial anunciada em maio. Elaborada pelas secretarias da Educação e da Gestão Pública, a iniciativa contempla não só o aumento escalonado de 42,25% no vencimento-base dos professores, mas também a previsão de mudança dos atuais níveis de promoção salarial por desempenho e de progressão acadêmica.
“Essa Política Salarial e as previsões para o Plano de Carreira, que será posteriormente elaborado, são a proposta do Governo de São Paulo para dar os passos iniciais decisivos visando colocar a Educação de nosso Estado entre os melhores sistemas de ensino do mundo nos próximos anos”, disse o secretário da Educação, Herman Voorwald.
“Para atingir esse objetivo, nossa proposta, acolhida com entusiasmo pelo Governador Geraldo Alckmin, prevê manter e aperfeiçoar a avaliação pelo mérito e ampliar as possibilidades de ascensão profissional, garantindo essa evolução a todos os que atingirem os patamares fixados pelo plano”, ressaltou o Secretário da Gestão Pública, Julio Semeghini.
O Plano de Carreira será finalizado ainda neste ano, mas o projeto de lei do aumento salarial prevê também a mudança da estrutura dos níveis de evolução funcional, pois ambos tiveram de ser previamente avaliados no seu impacto no Orçamento do Estado para os próximos anos.
A carreira atual
No modelo atual, a promoção salarial pelo mérito se baseia em cinco níveis de promoção (verticais) em intervalos de quatro anos, com aumentos de 25% sobre o salário, limitados, em cada avaliação, aos 20% dos professores de melhor classificação em uma prova. O modelo ainda em vigor também possui cinco níveis de progressão acadêmica, com valores crescentes à razão de 5%, como mostra a tabela abaixo, na qual a evolução na carreira nos dois eixos proporciona uma variação total de 143,04%.
Ou seja, mantida essa escala atual de vencimentos, o atual salário-base de um professor com jornada de 40 horas semanais, que é de R$ 1.665,05, seria elevado até R$ 4.047,78 ao longo de toda a carreira do professor, ou seja, uma variação total de 143,04%, não computados adicionais de tempo de serviço.
O projeto de reformulação
Na proposta encaminhada ao Legislativo, estão previstos oito níveis com intervalos de três anos, com aumentos de 10,5% sobre o salário para todos os que atingirem determinadas metas de avaliação, que ainda deverão ser estabelecidas. Esses níveis correspondem, na tabela abaixo, à promoção salarial (vertical), que por sua vez é combinada com outros oito níveis de progressão (horizontal) com valores crescentes à razão de 5%.
Desse modo, além dos 42,25% sobre o salário-base – definido inclusive para aposentados e pensionistas –, está prevista também a possibilidade de promoção de até 183,05% dos vencimentos ao longo da carreira.
Tomando como exemplo o atual salário-base de um professor com jornada de 40 horas semanais, que é de R$ 1.665,05, e que será aumentado em julho deste ano para R$ 1.894,12 (o que corresponde a 13,76% de acréscimo), o total de vencimentos para aqueles que cumprirem todos os oito níveis verticais e horizontais será de R$ 5.361,20.
Essa variação acumulada de 183,05% não considera, porém, adicionais por tempo de serviço nem os aumentos salariais previstos para os próximos três anos. Para considera essa Política Salarial, que prevê para julho de 2014 o salário-base atual aumentado em 42,25%, ou seja, de R$ 2.368,51, a evolução na carreira nos oito níveis verticais e horizontais permitirá chegar ao total de vencimentos de R$ 6.704,07, sem contar aumentos por tempo de serviço.
Desse modo, a Política Salarial proposta pelo Governador Geraldo Alckmin para o Legislativo induz os professores, durante sua carreira, não só à formação continuada por meio de cursos de pós-graduação e de especialização (progressão horizontal), mas também à valorização pelo mérito, que preservará a prova de avaliação, mas também incorporará outros critérios a serem definidos no Plano de Carreira, tais como a avaliação de desempenho profissional, que incorpora outros aspectos ao processo atual de exame, de modo a considerar outras habilidades essenciais ao professor, como o desempenho em sala de aula.
Em obediência à Lei Complementar 836/1997, a Secretaria de Educação instituirá uma comissão paritária, composta por representantes indicados pela Pasta e por entidades representativas do magistério, com a atribuição de propor critérios para a evolução funcional e demais providências relativas ao assunto. Também serão consideradas todas as avaliações apresentadas por representantes da rede estadual nas 15 reuniões regionais realizadas no início deste ano pela Secretaria da Educação, nas quais estiveram presentes cerca de 20 mil professores, supervisores e outros profissionais do ensino, inclusive praticamente todos os diretores de escolas e dirigentes regionais
Essa iniciativa de Política Salarial para o Magistério do Estado de São Paulo, com a previsão da estrutura de vencimentos para o Plano de Carreira, visa promover ainda mais a melhoria da Educação, e tem o professor como peça-chave para o sucesso desse projeto.
terça-feira, 14 de junho de 2011
7 erros do professor em sala de aula
Confira como evitar atividades sem foco ou morosas, que roubam um procioso tempo da aprendizagem
Camila Monroe (camila.monroe@abril.com.br)

O problema Deixar a turma sem fazer nada ao corrigir exames ou propor que os alunos confiram as avaliações.
A solução Nesse caso, o antídoto é evitar a ação. Corrigir provas é tarefa do educador, para que ele possa aferir os pontos em que cada um precisa avançar. E o momento certo para isso é na hora-atividade.

O problema Durante um debate, pedir que todos os estudantes se manifestem, gerando desinteresse e opiniões repetitivas.
A solução O ideal é fazer perguntas como "Alguém tem opinião diferente?" e "E você? Quer acrescentar algo?". Assim, as falas não coincidem e os alunos são incentivados a ouvir e a refletir.

O problema Crianças que terminam suas tarefas ficam ociosas ao esperar que os demais acabem. Além de perder uma chance de aprender, atrapalham os colegas que ainda estão trabalhando.
A solução Ter uma segunda atividade relacionada ao tema da primeira para contemplar os mais rápidos.

O problema A arrumação de carteiras e mesas para trabalhos em grupo e rodas de leitura acaba tomando uma parte da aula maior do que das atividades em si.
A solução Analisar se a mudança na disposição do mobiliário influi, de fato, no aprendizado. Em caso positivo, vale programar arrumações prévias à aula.

O problema Abordar o assunto mais quente do momento por várias aulas, o que pode sacrificar o tempo dedicado ao conteúdo.
A solução Dosar o espaço das atualidades e contextualizar o tema. Em Geografia, por exemplo, pode-se falar de deslizamentos de terra relacionando-os aos tópicos de geologia.

O problema Pedir que os alunos façam atividades como lembrancinhas para datas comemorativas sem nenhum objetivo pedagógico.
A solução Só propor atividades manuais ligadas a conteúdos curriculares - nas aulas de Artes, por exemplo, para estudar a colagem como um procedimento artístico.

O problema Pedir trabalhos individuais sobre um tema sem nenhum tipo de subdivisão. Como resultado, surgem produções iguais e, muitas vezes, superficiais.
A solução Dividir o tema em outros menores e com indicações claras do que pesquisar. Isso proporciona investigações mais profundas e dinamiza a socialização.
fonte: http://revistaescola.abril.com.br/formacao/formacao-continuada/7-erros-professor-629265.shtml
Vygotsky e o conceito de zona de desenvolvimento proximal
Para Vygotsky, o segredo é tirar vantagem das diferenças e apostar no potencial de cada aluno
Todo professor pode escolher: olhar para trás, avaliando as deficiências do aluno e o que já foi aprendido por ele, ou olhar para a frente, tentando estimar seu potencial. Qual das opções é a melhor? Para a pesquisadora Cláudia Davis, professora de psicologia da Educação da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), sem a segunda fica difícil colocar o estudante no caminho do melhor aprendizado possível. "Esse conceito é promissor porque sinaliza novas estratégias em sala de aula", diz Cláudia. O que interessa, na opinião da especialista, não é avaliar as dificuldades das crianças, mas suas diferenças. "Elas são ricas, muito mais importantes para o aprendizado do que as semelhanças."
Não há um estudante igual a outro. As habilidades individuais são distintas, o que significa também que cada criança avança em seu próprio ritmo. À primeira vista, ter como missão lidar com tantas individualidades pode parecer um pesadelo. Mas a pesquisadora garante: o que realmente existe aí, ao alcance de qualquer professor, é uma excelente oportunidade de promover a troca de experiências.
Essa ode à interação e à valorização das diferenças é antiga. Nas primeiras décadas do século 20, o psicólogo bielorrusso Lev Vygotsky (1896-1934) já defendia o convívio em sala de aula de crianças mais adiantadas com aquelas que ainda precisam de apoio para dar seus primeiros passos. Autor de mais de 200 trabalhos sobre Psicologia, Educação e Ciências Sociais, ele propõe a existência de dois níveis de desenvolvimento infantil. O primeiro é chamado de real e engloba as funções mentais que já estão completamente desenvolvidas (resultado de habilidades e conhecimentos adquiridos pela criança). Geralmente, esse nível é estimado pelo que uma criança realiza sozinha. Essa avaliação, entretanto, não leva em conta o que ela conseguiria fazer ou alcançar com a ajuda de um colega ou do próprio professor. É justamente aí - na distância entre o que já se sabe e o que se pode saber com alguma assistência - que reside o segundo nível de desenvolvimento apregoado por Vygotsky e batizado por ele de proximal.
Nas palavras do próprio psicólogo, "a zona proximal de hoje será o nível de desenvolvimento real amanhã". Ou seja: aquilo que nesse momento uma criança só consegue fazer com a ajuda de alguém, um pouco mais adiante ela certamente conseguirá fazer sozinha . Depois que Vygotsky elaborou o conceito, há mais de 80 anos, a integração de crianças em diferentes níveis de desenvolvimento passou a ser encarada como um fator determinante no processo de aprendizado.
terça-feira, 7 de junho de 2011
O CORDEL DA VEZ
A Greve dos BichosAutor: Zé Vicente
Muito antes do dilúvio
Era o mundo diferente
Os bichos todos falavam
Melhor do que muita gente
E passavam boa vida
Trabalhando honestamente
O diretor dos Correios
Era o doutor jabuti
O fiscal do litoral
Era o matreiro siri
Que tinha como ajudante
O malandro do quati
O rato foi nomeado
Para chefe aduaneiro
Fazendo muita "muamba"
Ganhando muito dinheiro
Com camundongo ordenança
Vestido de marinheiro
O cachorro era cantor
Gostava de serenata
Andava muito cintado
De colete e de gravata
Passava a noite na rua
Mais o besouro e a barata
A cigarra muito pobre
Inda não era "farrista"
Ganhava cinco mil réis
Para ser telefonista
Mais foi cantar num teatro
E acabou como corista
O mosquito era enfermeiro
Tinha muita ocupação
Andava sempre zuindo
Dando na tropa injeção
Combatendo noite e dia
O micróbio da sezão
O diretor do Tesouro
Era o doutor gafanhoto
Andava sempre apressado
Num bom cavalo de choto
Que uma vez quebrou a perna
Dentro dum cano de esgoto
A saúva se ocupava
Na podação dos jardins
E tinha como ajudantes
Quatrocentos mucuins
Que já nesse velho tempo
Eram moleques ruins
O macaco sempre foi
Muito bem expediente
Passava a vida feliz
Sempre baludo e contente
Com sua sabedoria
Enganando toda gente
O burro, metido a sebo
Queria ser sabichão
Até chegou mesmo a ser
Diretor da Educação
Onde baixou portaria
Metendo... os pés pela mão
Do Telégrafo Sem Fio
Era o chefe caranguejo
Apesar de não saber
Daquele troço o manejo
Dava melhor pra tocar
Berimbau ou realejo
A mucura era empregada
Numa fábrica de extrato
O peru era na terra
Consertador de sapato
O calango quitandeiro
Só não vendia barato
Dona aranha era modista
A mosca sua empregada
Quando errava no serviço
Levava muita pancada
Mas no fim de pouco tempo
Já vivia acostumada
A guariba era uma negra
Destas mesmo brobobó
Que não se dava o respeito
Dançando no carimbó
Num chamego vergonhoso
Com o sobrinho do socó
Por causa dela, uma vez
Houve até pancadaria
Quebraram a perna do gato
Furaram os olhos do gia
E o mocó esmoreceu
Na presença da cotia
A picota, coitadinha
Teve um chilique na rua
Naquela barafunda
Apareceu a perua
Que ficou foi depenada
E completamente nua
Era o chefe de polícia
O comendador jumento
Que tomou as providências
Requeridas no momento
Mostrando que para o cargo
Só lhe faltava talento
Guariba foi deportada
Do centro da capital
Depois de enorme sentença
Dum processo federal
Que condenava a vadia
Por ofensas à moral
O jornal intitulado
Gazeta dos Animais
Combateu esse processo
Chamando a todos venais
Porém, comprado o seu dono
Fechou-se, não falou mais
O sobrinho do socó
Quando viu a coisa feia
Foi falar com seu padrinho
Que tinha bom pé-de-meia
E com peso de dinheiro
Pôs o juiz na cadeia
Nessa campanha medonha
Um bode pai de chiqueiro
Foi "bancar" o moralista
Mas desertou do terreiro
Por causa dumas histórias
Que revelou o carneiro
O porco, então, prometeu
Fazer de todos a cama
Dando lições de higiene
Querendo ter muita fama
Mas todo bicho sabia
Que ele morava na lama
Carrapato era fiscal
Preguiçoso e muito feio
Onde havia uma tramóia
Estava sempre no meio
Engordando doidamente
À custa do sangue alheio
A formiga era sovina
Mas amiga do trabalho
E tinha seu sindicato
Cada qual lá no seu galho
Acumulando no inverno
Folhas de maio e retalho
Tartaruga, pescadora
Era amiga da baleia
Tracajá guardava os ovos
Nos tabuleiros de areia
Mas a cobra só sabia
Falar mal da vida alheia
O tamanduá bandeira
Era muito adulador
Não saía de palácio
Mirando o governador
Até que enfim conseguiu
Ser juiz corregedor
E depois que se pegou
Naquela nova função
Foi dizer que tudo aquilo
Era simples galardão
De seu talento elevado
Mas, favor, isso é que não!
Naquele tempo existia
Teatro da natureza
Borboleta era querida
Por sua grande beleza
Era a melhor dançarina
Que se via na redondeza
Cururu era aplaudido
Como mágico perfeito
Engolindo fogo em brasa
Como quem bate no peito
Ganhando palmas a beça
Gozando muito respeito
Fez uma festa o veado
Em benefício do arraiá
Que já não tinha dinheiro
Nem pra comprar uma saia
E o cachorro foi cantar
Mas apanhou uma vaia
Urubu já nesse tempo
Era um grande aviador
Levando a correspondência
Aos bichos do interior
Conduzindo pelos ares
Cartas, postais e valor
A coruja era ama-seca
Dos filhos do papagaio
Que só viviam chorando
Dentro d'um grande balaio
Com medo de tempestade
De chuva grossa e de raio
Papagaio era estimado
E professor numa escola
Onde uma vez fez exame
A turma do tatu-bola
Que foi toda reprovada
E levou pau na cachola
Ia tudo muito bem
Ganhando alegre o seu pão
Mas, uma vez o quati
Se alvorando a sabichão
Falou a necessidade
De fazer revolução
Pedindo logo a palavra
Foi, de fato, extraordinário
Quando afirmou que o trabalho
Precisava de outro horário
E lembrou de se aumentar
Da bicharada o salário
O burro, então, bateu palma
Gritando, muito emproado:
"Muito bem, isto é verdade
Eu já vivo maltratado
De trabalhar para os outros
Como um pobre condenado"
O cavalo relinchando
Seu sofrimento descreve
E pede que o movimento
Seja mesmo para breve
Que em todo o reino se faça
Estalar medonha greve
Vendo a coisa pegar fogo
Cada qual melhor atiça
O burro sempre na frente
Bufando vem para liça
Tudo que é bicho aderiu
Menos a dona preguiça
Havia imensa algazarra
Toda manhã, toda tarde
O quati não se calava
Promovendo grande alarde
Enquanto o boi só ficou
Pra não passar por covarde
Achavam já os grevistas
Que nada estava direito
Até pipira arvorada
Batia o bico no peito
Dizendo: "Pra me acalmar"
Só mesmo com muito jeito.
O macaco foi ao mato
Trouxe um rolo de cipó
E disse para o quati:
"Isso é pra dar muito nó
No patife que fugir
E deixar a gente só!"
A raposa convidada
Para a luta pela aranha
Respondeu: Não acredito
Estou farta de patranha
Tenho meu ponto de vista
Vou ver primeiro quem ganha
Começado o movimento
A formiga deu notícia
O tatu foi logo preso
Para o quartel de polícia
Mas pensando na vitória
Até se riu com delícia
O peru: numa contenda
Perdeu metade da crista
Já tinha havido a traição
Muitos estavam na lista
O galo foi deportado
Como sendo comunista
A questão não dava jeito
Já passava uma semana
O porco entrou num roçado
Comeu tudo que era cana
E o macaco foi pegado
Quando roubava banana
O quati viu-se perdido
Foi dando o fora apressado
Enquanto o trouxa do burro
Ali ficava enrascado
Sem saber que jeito dava
Naquele caso encrencado
Não havia mais comida
E nem tão pouco dinheiro
Mas a família Formiga
Tinha bem farto o celeiro
E quando foi procurada
Escondeu tudo primeiro
O jacaré, nesse tempo
Era o grande imperador
Sua corte era composta
Só de bichos de valor
Como a família Piranha
Onde tudo era doutor
Tubarão, o comandante
Duma valente brigada
Com corpos de infantaria
Do capitão peixe-espada
Mandava o zinco comer
na costela da negrada
Já quase desanimando
E arrependido da idéia
Resolveu a bicharada
Se juntar numa assembléia
Que teve muita ovação
No grande dia da estréia
Disse o burro: "Minha gente
Só quero ver como é
Ninguém mais hoje trabalha
Pra sustentar jacaré
Ele agora o que merece
É certeiro pontapé"
Pedido o auxílio da onça
Esta se comprometeu
E, disfarçada, em palácio
Uma noite se meteu
Quando chegou jacaré
Passou-lhe o dente e comeu
Tomou conta do governo
Debaixo de aclamação
E baixou logo um decreto
Em que fazia questão
De só comer jacaré
Que é de boa digestão
O resto dos jacarés
Vendo a vida por um fio
Abandonaram a cidade
Foram morar lá no rio
Nunca mais na terra firme
A raça dele se viu
Já para o fim, dona onça
Foi ficando diferente
Qualquer bicho que ela via
Passava logo no dente
Ninguém teve mais direito
Tudo andava descontente
Ao filho do jacaré
Um grupo enorme aparece
E o governo da nação
De repente lhe oferece
Mas este diz: "Cada povo
Com o governo que merece!"
E subindo para a praia
Falou com muita razão:
"Vocês pensavam que a onça
Ia salvar a nação
Mas querem ver o bonzinho
Bota-lhe a lança na mão"
Os conselhos recebidos
Fez, então, que não ouviu
E rematando a conversa
Os grandes olhos abriu:
"Vocês vão chorar na cama
Que ficou dentro do rio"
"A mim ninguém pega assim
Como pegaram meu pai"
Disse o jovem jacaré
Que no convite não cai
E termina murmurando:
"Pra lá o diabo é quem vai"
Voltaram todos os bichos
Se lamentando da sorte
A coruja arrependida
Já preferia era a morte
Ninguém mais tinha coragem
Ninguém sentia-se forte
O burro foi processado
Por mera perseguição
Perdeu toda uma fortuna
Que ganhou com "cavação"
Ficou quase na miséria
E foi para na prisão
A raposa era matreira
Mas se fingia de sonsa
Vendo o rumo que tomava
Toda aquela geringonça
Assinou um manifesto
Solidária com a onça
Cada vez a tirania
Manchava mais a nação
A onça só empapando
Comendo farta ração
Devorando os animais
Sem a menor compaixão
O bode compareceu
Num banquete oficial
Mas quando quis regressar
Sofreu um golpe fatal
Foi comido pela onça
Sem choro, sem funeral
Todos os bichos fugiram
Ninguém mais contava broca
Marimbondo amedrontado
Já não sabia da toca:
No reino arisco dos bichos
Tudo corria à matroca
Quando acabou o governo
Desse tempo de sobroço
No palacete da onça
Tinha um montão de caroço
E no tesouro de reino
Uma montanha de osso!
FIM
Muito antes do dilúvio
Era o mundo diferente
Os bichos todos falavam
Melhor do que muita gente
E passavam boa vida
Trabalhando honestamente
O diretor dos Correios
Era o doutor jabuti
O fiscal do litoral
Era o matreiro siri
Que tinha como ajudante
O malandro do quati
O rato foi nomeado
Para chefe aduaneiro
Fazendo muita "muamba"
Ganhando muito dinheiro
Com camundongo ordenança
Vestido de marinheiro
O cachorro era cantor
Gostava de serenata
Andava muito cintado
De colete e de gravata
Passava a noite na rua
Mais o besouro e a barata
A cigarra muito pobre
Inda não era "farrista"
Ganhava cinco mil réis
Para ser telefonista
Mais foi cantar num teatro
E acabou como corista
O mosquito era enfermeiro
Tinha muita ocupação
Andava sempre zuindo
Dando na tropa injeção
Combatendo noite e dia
O micróbio da sezão
O diretor do Tesouro
Era o doutor gafanhoto
Andava sempre apressado
Num bom cavalo de choto
Que uma vez quebrou a perna
Dentro dum cano de esgoto
A saúva se ocupava
Na podação dos jardins
E tinha como ajudantes
Quatrocentos mucuins
Que já nesse velho tempo
Eram moleques ruins
O macaco sempre foi
Muito bem expediente
Passava a vida feliz
Sempre baludo e contente
Com sua sabedoria
Enganando toda gente
O burro, metido a sebo
Queria ser sabichão
Até chegou mesmo a ser
Diretor da Educação
Onde baixou portaria
Metendo... os pés pela mão
Do Telégrafo Sem Fio
Era o chefe caranguejo
Apesar de não saber
Daquele troço o manejo
Dava melhor pra tocar
Berimbau ou realejo
A mucura era empregada
Numa fábrica de extrato
O peru era na terra
Consertador de sapato
O calango quitandeiro
Só não vendia barato
Dona aranha era modista
A mosca sua empregada
Quando errava no serviço
Levava muita pancada
Mas no fim de pouco tempo
Já vivia acostumada
A guariba era uma negra
Destas mesmo brobobó
Que não se dava o respeito
Dançando no carimbó
Num chamego vergonhoso
Com o sobrinho do socó
Por causa dela, uma vez
Houve até pancadaria
Quebraram a perna do gato
Furaram os olhos do gia
E o mocó esmoreceu
Na presença da cotia
A picota, coitadinha
Teve um chilique na rua
Naquela barafunda
Apareceu a perua
Que ficou foi depenada
E completamente nua
Era o chefe de polícia
O comendador jumento
Que tomou as providências
Requeridas no momento
Mostrando que para o cargo
Só lhe faltava talento
Guariba foi deportada
Do centro da capital
Depois de enorme sentença
Dum processo federal
Que condenava a vadia
Por ofensas à moral
O jornal intitulado
Gazeta dos Animais
Combateu esse processo
Chamando a todos venais
Porém, comprado o seu dono
Fechou-se, não falou mais
O sobrinho do socó
Quando viu a coisa feia
Foi falar com seu padrinho
Que tinha bom pé-de-meia
E com peso de dinheiro
Pôs o juiz na cadeia
Nessa campanha medonha
Um bode pai de chiqueiro
Foi "bancar" o moralista
Mas desertou do terreiro
Por causa dumas histórias
Que revelou o carneiro
O porco, então, prometeu
Fazer de todos a cama
Dando lições de higiene
Querendo ter muita fama
Mas todo bicho sabia
Que ele morava na lama
Carrapato era fiscal
Preguiçoso e muito feio
Onde havia uma tramóia
Estava sempre no meio
Engordando doidamente
À custa do sangue alheio
A formiga era sovina
Mas amiga do trabalho
E tinha seu sindicato
Cada qual lá no seu galho
Acumulando no inverno
Folhas de maio e retalho
Tartaruga, pescadora
Era amiga da baleia
Tracajá guardava os ovos
Nos tabuleiros de areia
Mas a cobra só sabia
Falar mal da vida alheia
O tamanduá bandeira
Era muito adulador
Não saía de palácio
Mirando o governador
Até que enfim conseguiu
Ser juiz corregedor
E depois que se pegou
Naquela nova função
Foi dizer que tudo aquilo
Era simples galardão
De seu talento elevado
Mas, favor, isso é que não!
Naquele tempo existia
Teatro da natureza
Borboleta era querida
Por sua grande beleza
Era a melhor dançarina
Que se via na redondeza
Cururu era aplaudido
Como mágico perfeito
Engolindo fogo em brasa
Como quem bate no peito
Ganhando palmas a beça
Gozando muito respeito
Fez uma festa o veado
Em benefício do arraiá
Que já não tinha dinheiro
Nem pra comprar uma saia
E o cachorro foi cantar
Mas apanhou uma vaia
Urubu já nesse tempo
Era um grande aviador
Levando a correspondência
Aos bichos do interior
Conduzindo pelos ares
Cartas, postais e valor
A coruja era ama-seca
Dos filhos do papagaio
Que só viviam chorando
Dentro d'um grande balaio
Com medo de tempestade
De chuva grossa e de raio
Papagaio era estimado
E professor numa escola
Onde uma vez fez exame
A turma do tatu-bola
Que foi toda reprovada
E levou pau na cachola
Ia tudo muito bem
Ganhando alegre o seu pão
Mas, uma vez o quati
Se alvorando a sabichão
Falou a necessidade
De fazer revolução
Pedindo logo a palavra
Foi, de fato, extraordinário
Quando afirmou que o trabalho
Precisava de outro horário
E lembrou de se aumentar
Da bicharada o salário
O burro, então, bateu palma
Gritando, muito emproado:
"Muito bem, isto é verdade
Eu já vivo maltratado
De trabalhar para os outros
Como um pobre condenado"
O cavalo relinchando
Seu sofrimento descreve
E pede que o movimento
Seja mesmo para breve
Que em todo o reino se faça
Estalar medonha greve
Vendo a coisa pegar fogo
Cada qual melhor atiça
O burro sempre na frente
Bufando vem para liça
Tudo que é bicho aderiu
Menos a dona preguiça
Havia imensa algazarra
Toda manhã, toda tarde
O quati não se calava
Promovendo grande alarde
Enquanto o boi só ficou
Pra não passar por covarde
Achavam já os grevistas
Que nada estava direito
Até pipira arvorada
Batia o bico no peito
Dizendo: "Pra me acalmar"
Só mesmo com muito jeito.
O macaco foi ao mato
Trouxe um rolo de cipó
E disse para o quati:
"Isso é pra dar muito nó
No patife que fugir
E deixar a gente só!"
A raposa convidada
Para a luta pela aranha
Respondeu: Não acredito
Estou farta de patranha
Tenho meu ponto de vista
Vou ver primeiro quem ganha
Começado o movimento
A formiga deu notícia
O tatu foi logo preso
Para o quartel de polícia
Mas pensando na vitória
Até se riu com delícia
O peru: numa contenda
Perdeu metade da crista
Já tinha havido a traição
Muitos estavam na lista
O galo foi deportado
Como sendo comunista
A questão não dava jeito
Já passava uma semana
O porco entrou num roçado
Comeu tudo que era cana
E o macaco foi pegado
Quando roubava banana
O quati viu-se perdido
Foi dando o fora apressado
Enquanto o trouxa do burro
Ali ficava enrascado
Sem saber que jeito dava
Naquele caso encrencado
Não havia mais comida
E nem tão pouco dinheiro
Mas a família Formiga
Tinha bem farto o celeiro
E quando foi procurada
Escondeu tudo primeiro
O jacaré, nesse tempo
Era o grande imperador
Sua corte era composta
Só de bichos de valor
Como a família Piranha
Onde tudo era doutor
Tubarão, o comandante
Duma valente brigada
Com corpos de infantaria
Do capitão peixe-espada
Mandava o zinco comer
na costela da negrada
Já quase desanimando
E arrependido da idéia
Resolveu a bicharada
Se juntar numa assembléia
Que teve muita ovação
No grande dia da estréia
Disse o burro: "Minha gente
Só quero ver como é
Ninguém mais hoje trabalha
Pra sustentar jacaré
Ele agora o que merece
É certeiro pontapé"
Pedido o auxílio da onça
Esta se comprometeu
E, disfarçada, em palácio
Uma noite se meteu
Quando chegou jacaré
Passou-lhe o dente e comeu
Tomou conta do governo
Debaixo de aclamação
E baixou logo um decreto
Em que fazia questão
De só comer jacaré
Que é de boa digestão
O resto dos jacarés
Vendo a vida por um fio
Abandonaram a cidade
Foram morar lá no rio
Nunca mais na terra firme
A raça dele se viu
Já para o fim, dona onça
Foi ficando diferente
Qualquer bicho que ela via
Passava logo no dente
Ninguém teve mais direito
Tudo andava descontente
Ao filho do jacaré
Um grupo enorme aparece
E o governo da nação
De repente lhe oferece
Mas este diz: "Cada povo
Com o governo que merece!"
E subindo para a praia
Falou com muita razão:
"Vocês pensavam que a onça
Ia salvar a nação
Mas querem ver o bonzinho
Bota-lhe a lança na mão"
Os conselhos recebidos
Fez, então, que não ouviu
E rematando a conversa
Os grandes olhos abriu:
"Vocês vão chorar na cama
Que ficou dentro do rio"
"A mim ninguém pega assim
Como pegaram meu pai"
Disse o jovem jacaré
Que no convite não cai
E termina murmurando:
"Pra lá o diabo é quem vai"
Voltaram todos os bichos
Se lamentando da sorte
A coruja arrependida
Já preferia era a morte
Ninguém mais tinha coragem
Ninguém sentia-se forte
O burro foi processado
Por mera perseguição
Perdeu toda uma fortuna
Que ganhou com "cavação"
Ficou quase na miséria
E foi para na prisão
A raposa era matreira
Mas se fingia de sonsa
Vendo o rumo que tomava
Toda aquela geringonça
Assinou um manifesto
Solidária com a onça
Cada vez a tirania
Manchava mais a nação
A onça só empapando
Comendo farta ração
Devorando os animais
Sem a menor compaixão
O bode compareceu
Num banquete oficial
Mas quando quis regressar
Sofreu um golpe fatal
Foi comido pela onça
Sem choro, sem funeral
Todos os bichos fugiram
Ninguém mais contava broca
Marimbondo amedrontado
Já não sabia da toca:
No reino arisco dos bichos
Tudo corria à matroca
Quando acabou o governo
Desse tempo de sobroço
No palacete da onça
Tinha um montão de caroço
E no tesouro de reino
Uma montanha de osso!
FIM
SOBRE A MORTE E O MORRER
Rubem Alves
O que é vida? Mais precisamente, o que é a vida de
um ser humano? O que e quem a define?
Já tive medo da morte. Hoje não tenho mais. O que sinto é uma enorme tristeza. Concordo com Mário Quintana: "Morrer, que me importa? (...) O diabo é deixar de viver." A vida é tão boa! Não quero ir embora...
Eram 6h. Minha filha me acordou. Ela tinha três anos. Fez-me então a pergunta que eu nunca imaginara: "Papai, quando você morrer, você vai sentir saudades?". Emudeci. Não sabia o que dizer. Ela entendeu e veio em meu socorro: "Não chore, que eu vou te abraçar..." Ela, menina de três anos, sabia que a morte é onde mora a saudade.
Cecília Meireles sentia algo parecido: "E eu fico a imaginar se depois de muito navegar a algum lugar enfim se chega... O que será, talvez, até mais triste. Nem barcas, nem gaivotas. Apenas sobre humanas companhias... Com que tristeza o horizonte avisto, aproximado e sem recurso. Que pena a vida ser só isto...”
Da. Clara era uma velhinha de 95 anos, lá em Minas. Vivia uma religiosidade mansa, sem culpas ou medos. Na cama, cega, a filha lhe lia a Bíblia. De repente, ela fez um gesto, interrompendo a leitura. O que ela tinha a dizer era infinitamente mais importante. "Minha filha, sei que minha hora está chegando... Mas, que pena! A vida é tão boa...”
Mas tenho muito medo do morrer. O morrer pode vir acompanhado de dores, humilhações, aparelhos e tubos enfiados no meu corpo, contra a minha vontade, sem que eu nada possa fazer, porque já não sou mais dono de mim mesmo; solidão, ninguém tem coragem ou palavras para, de mãos dadas comigo, falar sobre a minha morte, medo de que a passagem seja demorada. Bom seria se, depois de anunciada, ela acontecesse de forma mansa e sem dores, longe dos hospitais, em meio às pessoas que se ama, em meio a visões de beleza.
Mas a medicina não entende. Um amigo contou-me dos últimos dias do seu pai, já bem velho. As dores eram terríveis. Era-lhe insuportável a visão do sofrimento do pai. Dirigiu-se, então, ao médico: "O senhor não poderia aumentar a dose dos analgésicos, para que meu pai não sofra?". O médico olhou-o com olhar severo e disse: "O senhor está sugerindo que eu pratique a eutanásia?".
Há dores que fazem sentido, como as dores do parto: uma vida nova está nascendo. Mas há dores que não fazem sentido nenhum. Seu velho pai morreu sofrendo uma dor inútil. Qual foi o ganho humano? Que eu saiba, apenas a consciência apaziguada do médico, que dormiu em paz por haver feito aquilo que o costume mandava; costume a que freqüentemente se dá o nome de ética.
Um outro velhinho querido, 92 anos, cego, surdo, todos os esfíncteres sem controle, numa cama -de repente um acontecimento feliz! O coração parou. Ah, com certeza fora o seu anjo da guarda, que assim punha um fim à sua miséria! Mas o médico, movido pelos automatismos costumeiros, apressou-se a cumprir seu dever: debruçou-se sobre o velhinho e o fez respirar de novo. Sofreu inutilmente por mais dois dias antes de tocar de novo o acorde final.
Dir-me-ão que é dever dos médicos fazer todo o possível para que a vida continue. Eu também, da minha forma, luto pela vida. A literatura tem o poder de ressuscitar os mortos. Aprendi com Albert Schweitzer que a "reverência pela vida" é o supremo princípio ético do amor. Mas o que é vida? Mais precisamente, o que é a vida de um ser humano? O que e quem a define? O coração que continua a bater num corpo aparentemente morto? Ou serão os ziguezagues nos vídeos dos monitores, que indicam a presença de ondas cerebrais?
Confesso que, na minha experiência de ser humano, nunca me encontrei com a vida sob a forma de batidas de coração ou ondas cerebrais. A vida humana não se define biologicamente. Permanecemos humanos enquanto existe em nós a esperança da beleza e da alegria. Morta a possibilidade de sentir alegria ou gozar a beleza, o corpo se transforma numa casca de cigarra vazia.
Muitos dos chamados "recursos heróicos" para manter vivo um paciente são, do meu ponto de vista, uma violência ao princípio da "reverência pela vida". Porque, se os médicos dessem ouvidos ao pedido que a vida está fazendo, eles a ouviriam dizer: "Liberta-me".
Comovi-me com o drama do jovem francês Vincent Humbert, de 22 anos, há três anos cego, surdo, mudo, tetraplégico, vítima de um acidente automobilístico. Comunicava-se por meio do único dedo que podia movimentar. E foi assim que escreveu um livro em que dizia: "Morri em 24 de setembro de 2000. Desde aquele dia, eu não vivo. Fazem-me viver. Para quem, para que, eu não sei...". Implorava que lhe dessem o direito de morrer. Como as autoridades, movidas pelo costume e pelas leis, se recusassem, sua mãe realizou seu desejo. A morte o libertou do sofrimento.
Dizem as escrituras sagradas: "Para tudo há o seu tempo. Há tempo para nascer e tempo para morrer". A morte e a vida não são contrárias. São irmãs. A "reverência pela vida" exige que sejamos sábios para permitir que a morte chegue quando a vida deseja ir. Cheguei a sugerir uma nova especialidade médica, simétrica à obstetrícia: a "morienterapia", o cuidado com os que estão morrendo. A missão da morienterapia seria cuidar da vida que se prepara para partir. Cuidar para que ela seja mansa, sem dores e cercada de amigos, longe de UTIs. Já encontrei a padroeira para essa nova especialidade: a "Pietà" de Michelangelo, com o Cristo morto nos seus braços. Nos braços daquela mãe o morrer deixa de causar medo.
Texto publicado no jornal “Folha de São Paulo”, Caderno “Sinapse” do dia 12/10/03. fls 3.
quarta-feira, 1 de junho de 2011
Prêmio Vivaleitura 2011
Leiam o regulamento, assistam o vídeo e inscrevam sua escola.
http://www.premiovivaleitura.org.br/videos/default.asp
http://www.premiovivaleitura.org.br/videos/default.asp
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